A cantora Portuense Maria Mendes regressa com o seu segundo disco, intitulado de Innocentia.

Este é um disco recheado de escolhas sofisticadas nas adaptações de clássicos do Jazz – um exemplo é a conhecida lullabye de Charlie Chaplin “Smile” (que dá o mote de abertura ao Innocentia) aqui revisitada com uma emoção sublime num diálogo cristalino entre a voz e o piano – bem como nas excecionais adaptações de obras de música clássica – uma das escolhas é a requintada ária “Cantilena” do brasileiro Heitor Vila Lobos que surpreendentemente ganha um balanço exótico e hipnotizante ao som do clarinete e da voz.

A surpresa no Innocentia surge com um par de composições originais da cantora/autora, nas quais expressa o que inocência, nostalgia e fragilidade significam na sua vida e na forma como perceciona o mundo atual. Maria partilha: “sinto que há uma vulnerabilidade impressa na inocência humana que é muito mais adulta do que ‘criança’. Quis aprofundar essa realidade no sentimento e emoção musical neste disco, apropriando-me de escolhas que pudessem expressar essa mesma vulnerabilidade de forma pura e bela, sem tristeza e drama, mas sim profunda! Bebi muito da poesia da Florbela Espanca e do escritor/músico Chico Buarque e retive muita informação musical do Villa Lobos, Michael Legrand, Wayne Shorter, Pat Metheny e também nas músicas orquestradas da Disney dos anos 40s e 50s.”

O resultado é uma escolha incomum de canções que não se esperam num disco de jazz. O ciclo da viagem musical do Innocentia encerra com o famoso “Fragile” do Sting numa adaptação deliciosamente surpreendente e comovente.

Tanto em Innocentia, como no seu antecessor, o “Along the Road” (2012, Dot Time Records USA) – aclamado pela crítica internacional e por ilustres músicos, entre eles Quincy Jones que teceu o seguinte comentário: “Eu vejo um futuro brilhante e promissor para esta jovem cantora” – a cantora Portuguesa fez-se reunir por uma equipa excecional de músicos Holandeses – Karel Boehlee no piano (Toots Thielemans Band); Clemens van der Feen no contrabaixo (Jesse van Ruller Trio) e Jasper van Hulten na bateria (Eric Vloeimans Band). Com esta equipa embarcou numa digressão internacional que a levou a Nova Iorque ao famoso “Blue Note Jazz Club NY” (assinalando assim a estreia de uma cantora portuguesa nesta mítica sala de Jazz com prestígio e reconhecimento mundiais). A este grupo junta-se a conceituada clarinetista isrealita Anat Cohen bem como o compositor/orquestrador Holandês Martin Fondse (detentor de inúmeros prémios e nomeações para o famoso Oscar norte americano e Grammy Holandês).

Com críticas entusiastas ao Innocentia e às capacidades vocais/interpretativas da cantora, seguiram-se convites para apresentar este novo disco em grandes salas de espetáculo nacionais/internacionais – Casa da Música, Centro Cultural de Belém; North Sea Jazz Festival e Concertgebouw (Holanda); Sunset Sunside Paris (França). “Nascida no seio de uma família com uma especial sensibilidade artística, a submersão no Jazz foi progressiva, ao ritmo de um “ouvido curioso” que exigia saber mais. Maria Mendes levou sempre a música demasiado a sério para se permitir devaneios, pelo que primeiro acabou a formação em canto clássico e em piano, garantindo uma bagagem que hoje se intromete em cada nota que emite. Sabe pela mãe que aos três anos queria ser cantora de ópera — desse lado da família herdou a música. A curiosidade de remexer nos álbuns de Frank Sinatra, Nat King Cole e de Nina Simone que pertenciam ao seu pai e as
longas viagens de carro em tempo de férias, a ouvir a música preferida da irmã, foram moldando o gosto por harmonias diferentes, até que aos 16 anos um amigo intrépido a convidou a gravar ‘My Romance’ e ‘Somewhere Over the Rainbow’, precipitando tudo…abrindo-lhe as portas de um universo que viria a torná-lo seu. Ingressou na ESMAE do Porto em canto jazz, acabando uma licenciatura que incluiu seis meses de Erasmus em Roterdão. «Adorei o ambiente», recorda. De tal forma que voltou para o mestrado, feito com duas bolsas de mérito do Governo holandês. Um mês em Nova Iorque e outro no Rio de Janeiro foram também decisivos para criar o seu tom. «Nestas viagens encontrei um envolvimento muito grande com a música brasileira, não de querer fazê-la como os brasileiros a fazem, mas ao meu jeito», diz Maria Mendes, que mantém com o Brasil estreitos laços familiares. Será provavelmente esta influência que leva a crítica internacional a classificar a sonoridade do seu álbum de estreia “Along the Road” (lançado em Maio de 2012) de um “jazz exótico com uma nostalgia
portuguesa”, designação que rouba um sorriso a Maria Mendes.” (Luciana Leiderfarb, in Jornal Expresso 14.09.14)

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Maria Mendes

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